2011
25/09

para gostar de ler?

Em 1981, Tânia Rösing, uma professora de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, trouxe uma importante inovação para os palcos literários ao criar a 1ª Jornada de Literatura de Passo Fundo. Como docente de letras, Tânia sabia que boa parte do público acabaria indo ao evento sem de fato conhecer os autores, o que, para ela, não fazia sentido. Era preciso que espectadores tivessem contato com a obra dos escritores antes das palestras.

“Quando não se prepara o público, as perguntas são superficiais. Escreve de dia ou de noite? Se inspira na sua rua ou no mundo? Dá seus livros para alguém ler antes de publicar?”, argumenta Tânia, que ainda hoje, aos 63 anos, está à frente da Jornada.

Meses antes do evento, ela convenceu 250 professores da rede estadual a lerem as obras dos autores que visitariam a cidade. Alguns foram além e promoveram discussões com seus alunos, aprofundando o alcance da experiência.

O encontro foi modesto, com público de 750 pessoas. Mas contou com as presenças ilustres de Carlos Nejar, Mario Quintana e Moacyr Scliar, entre outros gaúchos de renome. Foi uma festa despretensiosa, feita na base do improviso, com autores hospedados na casa dos organizadores e participando de jantares de confraternização. Nada indicava que, três décadas depois, a Jornada se tornaria um dos mais importantes acontecimentos literários do país, reunindo cerca de 30 mil pessoas a cada edição, com resultados duradouros que transcenderam o evento: atualmente a média de leitura por habitante na região de Passo Fundo é a maior do Brasil, de 6,5 livros lidos espontaneamente ao ano (excluindo os que a escola obriga a ler). Está próxima à da França, de 7 livros por pessoa, e bem superior à do restante do país, de 1,3 livro.

Eu não sabia disto e achei bem interessante. Faz parte deste post no blog da revista Piauí

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