A grande maioria , provavelmente bem próximo de 99%, dos usuários de computador o utilizam em poucas tarefas: programas de escritório (planilhas e processadores de texto), acessar a internet (para emails, bate-papo, download de músicas e filmes). Computadores usados no âmbito empresarial também não fogem à regra: a maioria de seus usuários são apenas operadores de sistemas empresariais como Microsiga e SAP, e alguns poucos usam softwares mais especializados (como eu que sou cadista, usando AutoCAD e Unigraphics). Esse uso, restrito à uma pequena fatia do que os computadores podem realmente fazer, acaba por esconder do usuário as múltiplas possibilidades que a máquina atrás do teclado cotidiano pode trazer. Um exemplo da minha experiência: no trabalho nós temos que enviar documentos para usuários externos à empresa, e estes documentos devem ser criptografados para garantir o segredo. A ferramenta de criptografia usada na empresa é integrada ao Windows Explorer e pode criptografar uma pasta, mas apenas uma senha por pasta. E se – como é o caso lá – tivermos que enviar várias cópias dos mesmos arquivos, para usuários diferentes com senhas diferentes? A única maneira usando o programa é fazer a criptografia em um à um mesmo – um trabalho cansativo quando se tem um grande número de arquivos a enviar. Quando eu assumi o serviço, com uma grande quantidade de pendências, fui pesquisar para ver se não teria uma maneira melhor – e a solução que encontrei ao final foi desenvolver um aplicativo pequeno que recebe o nome dos destinatários e passa eles para a linha de comando do programa de criptografia automaticamente – acelerando em muito o processo.
Como este exemplo, acredito que não é difícil que uma pequena introdução a programação pode levar à criação de muitas soluções facilitadoras para o nosso serviço ou diversão do dia-à-dia.
Mas, se você é como eu, provavelmente está interessado em aprender à programar apenas para entender melhor e explorar novas possibilidades desta máquina interessante que é o computador. Para qualquer um dos casos, não é nenhum bicho-de-sete-cabeças: a internet está aí para nos ajudar, e indico abaixo algumas soluções simples e práticas para aprender.
1 – Visual Studio .Net
Eu tenho um livro de programação que comprei num saldo, que deve ter em torno de umas mil páginas, e se não me engano o título é “Programação C++ para Windows”. Quando eu tive oportunidade de ler o livro com atenção, descobri que todas as mil páginas ensinam apenas à programar na unha a interface gráfica do Windows…
Para desviar deste trabalho pesado, é que foram desenvolvidas soluções como o Delphi e o Visual Basic. Eu só comecei à aprender a programar de verdade quando descobri o Delphi; o Visual Basic nas primeiras versões era uma solução meio enrolada. Mas com o .NET a Microsoft deu um grande pulo, tanto que ele se tornou um grande padrão de mercado, e está sendo seguido até pelo pessoal do Linux com o projeto Mono (isso mesmo, dá para programar em Visual Basic no Linux – embora ainda de uma maneira meio crua).
E o melhor é que o Visual Studio tem uma versão Free:
http://www.microsoft.com/express/Downloads/
http://msdn.microsoft.com/pt-br/beginner/default.aspx
E para aprender? Pesquisando na net é possível encontrar uma grande quantidade de material, mas eu indico particularmente um site brasileiro: o www.macoratti.net . Basta navegar na quantidade impressionante de exemplos disponíveis lá que você vai pegar a mão rapidinho.
Se você quer dar um passo adiante, usando o Visual C# e consegue ler em inglês, o TuxRadar tem umas matérias boas:
Aprendendo C# criando suas próprias aplicações
Aprendendo a programar? Seus primeiros passos fazendo um jogo
Os exemplos acima foram feitos em C# no Mono, que é o .NET para Linux, mas podem ser usados sem problema no C# do Visual Studio.
2 – Lazarus
Como eu falei antes, eu só consegui aprender a programar quando descobri o Delphi, que é um ambiente de desenvolvimento gráfico para a linguagem de programação Pascal (assim como o Visual Studio é um ambiente de desenvolvimento gráfico para linguagens como o VB e o C#). Eu já tinha estudado Pascal na faculdade, mas na época – faz tempo… – eu mal tinha um computador em casa para praticar, e passou batido. Mas na época que realmente passei à usar computador, após tentar o VB, descobri o Delphi em cd’s de revista – e me maravilhei com as possibilidades. De lá para cá, no entanto, a Borland, dona do Delphi, se desinteressou dele, porque passou à utilizar o .NET, e ele foi assumido por uma empresa nova. Mas o Delphi deixou de ter a atenção que tinha anteriormente.
Já à algum tempo, no entanto, apareceu o Lazarus, que é um ambiente gráfico para o Free Pascal, uma linguagem multiplataforma (roda em Windows e Linux). Ainda não tentei usar, mas parece muito interessante, e quem quer material pode começar com este tutorial em vídeo.
3 – PHP e MySQL
Um desafio para quem está se iniciando no mundo dos computadores é justamente a criação de aplicativos para a Internet. Simples páginas estáticas podem ser criadas facilmente usando HTML (embora, devido aos avanços sempre constantes neste universo, somente páginas simples podem ser feitas com HTML hoje em dia); mas se você realmente quer programar, precisa de uma solução mais ampla.
A dupla PHP e MySQL é uma das opções mais usadas em todo o mundo, reputada pela simplicidade e poderio. Para mim, a maneira mais simples de começar programando em PHP e MySQL é usar um simples editor de texto como o Notepad do Windows (se quiser um editor mais poderoso pode escolher o EditPad Lite ou diversos outros disponíveis por aí) e usar o XAMPP que é basicamente um servidor web portátil para desenvolvimento.
Para aprender o PHP a maneira mais fácil é começar pelo tutorial disponível no site do próprio, e depois sair pesquisando. Mais uma vez o TuxRadar tem um livro completo para introdução ao PHP com MySQL.
Bem, estas são apenas algumas sugestões. Se alguém tiver alguma outra indicação para eu colocar aqui é só mandar. E boa sorte na sua iniciação!